Lembra-se do último post, aquele que eu falava sobre o que é a música, na minha opinião?

Hoje quero tentar discutir um conceito um tanto polêmico: essa mania de querer ter o som de tal artista, tal banda.

 

Não podemos negar que somos influenciados o tempo todo por algum artista. Temos afinidade com certo estilo musical, ouvimos a discografia inteira de certa banda, mas isso não significa que se deva ficar restrito a esse universo musical.

Algumas bandas me procuraram para gravar e queriam que “a gravação ficasse igual a de X”. Por motivos éticos eu não cai na gargalhada… Primeiro por aquele som que eles buscavam é o chamado “som de um milhão de dólares”, a gravação foi feita com uma mesa de no mínimo R$400.000,00, com compressores de R$10.000,00 a parcela e microfones baratos de R$5.000,00. Segundo pela infantilidade da banda, que era traduzida também nas músicas deles.

É comum se inspirar em ídolos, e não há problemas nisso. O problema está em querer ter o som igual ao dele, ter o mesmo equipamento e tocar as mesmas músicas. O problema é querer ser mais um, porém o melhor dos mais um, e não se destacar por mérito próprio. Eu não gostaria e nem quero ser lembrado como “o baixista que tocava igual ao Flea, ao Lemmy, ao Jaco, Miller, Wooten…”.

Inclusive o que me inspirou a escrever esse post foi justamente uma citação a Eddie Van Halen (que li em um lugar muito inusitado):

Uma vez, Ted Nugent veio ver nossa passagem de som e quis experimentar o meu equipamento. Eu disse: Tudo bem, vá em frente! O som que saiu foi o do Ted Nugent. Ou seja, não importa muito qual equipamento você está usando. O seu som está nos seus dedos e na sua cabeça.

E então, o que você procura: O seu som, sua luta, seu suor, ou simplesmente o equipamento?

 

Lembrando que o equipamento de Eddie Van Halen era, basicamente, um pedaço de ripa com um flanger, phaser e uma unidade de reverb barata, todos presos com fita isolante…